As alterações analíticas do seu cão ou gato ao começar a comer dieta BARF
- Análises ao sangue baseadas em dietas ultraprocessadas
- Os parâmetros que mudam nas análises com dieta BARF
- Níveis altos de ureia ou BUN = doença renal
- Análise de uma ração renal de uma marca comercial
- Patologias comuns devido ao excesso de hidratos de carbono
- A melhor opção para as doenças renais: alimentação natural
Aquilo que comemos influencia o nosso organismo e a nossa saúde. Quando optamos por uma alimentação livre de processados, o nosso organismo responde da seguinte forma: menor inflamação, menor acumulação de gordura, melhor funcionamento dos órgãos, entre outras alterações positivas. O mesmo acontece com os cães e os gatos que trocam uma dieta baseada em ração (processada) por uma com alimentos naturais.
Tanto os cães como os gatos alimentados com dieta BARF podem apresentar alterações nas análises ao sangue em relação aos que se alimentam com processados. Estas variações nas análises podem alarmar-nos se não conhecermos as mudanças que podem surgir com a alteração da alimentação sem que isso represente patologias.
Análises ao sangue baseadas em dietas ultraprocessadas
Os intervalos normais estabelecidos para os diferentes parâmetros foram recolhidos de estudos com animais alimentados à base de ultraprocessados, como a ração. Logicamente, se a alimentação afeta o nosso organismo, estes parâmetros sofrerão alterações que não estão a ser contempladas nos estudos.
A dieta BARF baseia-se em fornecer uma alimentação aos cães e gatos com ingredientes naturais com percentagens baixas de hidratos de carbono, sem conservantes e sem aditivos químicos e com percentagens mais elevadas de proteína. Esta dieta produz alterações orgânicas nos nossos patudos, proporcionando uma melhor qualidade na sua comida e modificando certos parâmetros.
Os parâmetros que mudam nas análises com dieta BARF
🔸HEMOGRAMA
- Aumento do hematócrito (Hto) e da hemoglobina (Hb)
- Aumento de MCH, MCV, MCHC
- Diminuição de leucócitos totais (Leu)
- Diminuição de neutrófilos (Neu)
- Diminuição de linfócitos (Linfo)
🔸BIOQUÍMICA
- Aumento de sódio (Na) e magnésio (Mg)
- Aumento de proteínas totais (Pt)
- Aumento de albumina (Alb)
- Aumento da ureia ou BUN
- Aumento de BUN/Creatinina
- Diminuição da glucose (Glu)
- Diminuição do fósforo (P)
É importante realçar que o facto de estes parâmetros estarem alterados não tem de ser um indicador de doença.
Níveis altos de ureia ou BUN = doença renal
É comum encontrar veterinários sem formação em nutrição natural alarmados com os níveis altos de ureia ou BUN. Contudo, não se pode diagnosticar uma falência renal apenas por esses valores no sangue; é também muito importante o valor do parâmetro SDMA. A análise de urina por cistocentese (com análises laboratoriais específicas como o UPC) ou a ecografia abdominal são também determinantes na altura de realizar um diagnóstico clínico.
Um indicador de falência renal normalmente apresenta-se com proteinúria e sedimento ativo na urina. Além disso, em casos de doença, veremos sintomas associados à mesma, como poliúria (urinar mais do que o normal) e polidipsia (beber muita quantidade de água), falta de apetite, perda de peso, desidratação, entre outros sintomas da doença.
É extremamente importante diagnosticar corretamente as doenças fazendo os exames necessários. Porque um mau diagnóstico, como uma doença renal, poderia provocar graves problemas de saúde nos cães ou gatos. Se o seu patudo come BARF ou comida cozinhada e o seu veterinário não conhece as alterações analíticas que ocorrem, peça uma segunda opinião a outro profissional. Vamos explicar-lhe porquê.
Análise de uma ração renal de uma marca comercial
Os veterinários que não se formaram em nutrição e desconhecem a alimentação crua, quando veem os valores analíticos alterados relacionados com o rim, tendem a persuadir o tutor a mudar a alimentação do seu animal para uma ração renal. Mas será esta realmente a melhor opção para o animal? Pois bem, vamos fazer uma análise da composição e dos ingredientes que compõem uma ração para cães com problemas renais de uma marca muito conhecida.

Vamos ensinar-lhe a analisar os rótulos das rações ao mesmo tempo que lhe explicamos porque é que a ração renal não é a melhor opção para o seu cão ou o seu gato. Vamos começar pelo mais básico, sem ter em conta qualquer patologia.
🔸Cálculo de hidratos de carbono (HdC)
Antes disso, vamos explicar porque se fala em reduzir os hidratos de carbono na alimentação dos patudos. Os cães e gatos não estão preparados fisiologicamente para assimilar grandes quantidades de hidratos de carbono devido à falta da enzima digestiva presente na saliva, a amilase salivar, devido ao seu curto sistema digestivo e ao seu pH estomacal ácido.
Para calcular os hidratos de carbono de uma ração, usaremos a seguinte fórmula:
100 - %proteína bruta - %gordura bruta - %cinza bruta - %fibra bruta - %humidade = x%HdC
Façamos o cálculo com esta ração:
100 - 14 - 18 - 4 - 2,4 - 10** = 51,6% da ração são hidratos de carbono.
**Se a humidade não estiver especificada no rótulo, assume-se que é de 10%.
Portanto, podemos observar que os hidratos de carbono nesta ração renal representam mais de metade dos nutrientes. Para que tenha uma ideia, para que se possa considerar “uma quantidade adequada”, esta deve rondar valores inferiores a 30% e esta ração excede-os. Se sabemos que os cães e gatos não conseguem assimilar os hidratos de carbono, porque é que se fabricam estes tipos de alimentos? Mais à frente, explicaremos alguns dos problemas associados ao consumo recorrente de hidratos de carbono complexos.
🔸Ingredientes
Para criar um alimento ideal para carnívoros como o cão e o gato, é muito importante evitar as lectinas e o glúten. Ambos são compostos pró-inflamatórios que podem desencadear problemas de absorção dos alimentos, com as suas possíveis consequências como alergias e intolerâncias, entre outras. Portanto, é interessante evitar alimentos como as leguminosas, os cereais e certos tubérculos como a batata.
Olhando apenas para os 4 primeiros ingredientes (os primeiros da lista são os mais abundantes), depara-se com: arroz, farinha de milho, gorduras animais e glúten de milho. Sendo os cães animais carnívoros facultativos e os gatos carnívoros estritos, além de conhecer os problemas mencionados no parágrafo anterior, pode concluir que são ingredientes nefastos e prejudiciais para alimentar os nossos animais.
Patologias comuns devido ao excesso de hidratos de carbono
Se um cão ou um gato consome continuamente hidratos de carbono complexos, aumentam as possibilidades de sofrer de numerosas patologias. Os problemas de saúde relacionados com o excesso de hidratos de carbono podem ir desde a obesidade, por mau funcionamento do sistema digestivo, até alergias pela reação do corpo a componentes perigosos. O verdadeiro problema surge quando essas patologias se tornam crónicas e a saúde e o bem-estar do animal são gravemente afetados. Algumas destas patologias são:
- Obesidade.
- Problemas digestivos ligeiros como diarreias, gases, mau hálito, tártaro, etc.
- Alergias e intolerâncias.
- Pancreatite.
- Diabetes.
- Intestino irritável, permeável, IBD...
- Dores articulares.
- Cardiopatias.
- Qualquer problema inflamatório.
- Crises epiléticas.
- Cancro.
A melhor opção para as doenças renais: alimentação natural
Uma doença renal pode ser causada por um stress oxidativo das células do organismo e pela inflamação do mesmo. Todos estes hidratos de carbono pró-inflamatórios podem desencadear um problema renal ao “desequilibrar” o organismo, começando pelo aparelho digestivo, considerado como o segundo cérebro do corpo.
Se a ração renal como a que vimos anteriormente não é apta para um animal saudável, como é que será a alimentação adequada para um patudo com uma doença? Talvez um alimento como a ração renal não tenha efeitos positivos na saúde do patudo e, inclusivamente, piore a sua saúde. É muito importante conhecer todas as alternativas presentes para alimentar os nossos patudos da melhor forma possível.
Portanto, se o seu veterinário não tem conhecimentos sobre alimentação natural e lhe recomenda mudar para ração renal: RED FLAG! Procure um veterinário especializado em nutrição natural canina e/ou felina que possa guiá-lo na escolha da melhor opção para o seu cão ou gato.
Isabel Calzado, veterinária-nutricionista da Natuka
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