Epilepsia em cães e o papel fundamental da dieta BARF
- Fases e sintomas de uma crise epilética em cães
- Como agir durante as crises epiléticas em cães
- Dieta BARF para cães com epilepsia
- A dieta BARF como fonte de nutrientes para cães
- Suplementos em casos de epilepsia em cães
A epilepsia idiopática canina é uma patologia neuronal que afeta aproximadamente 2,5% dos cães. Este transtorno neurológico causa episódios de convulsões conhecidos como crises epiléticas, causados por uma anomalia na atividade elétrica no cérebro do animal.
A epilepsia canina tem um fator hereditário muito importante. As raças de cães mais propensas a sofrer de epilepsia são: pastor alemão, são-bernardo, caniche, beagle, labrador e basset hound. No entanto, também existe a epilepsia adquirida, que se deve a um problema externo, como seria uma lesão no cérebro. As possíveis causas deste transtorno dividem-se em intracranianas e extracranianas:
- As intracranianas são traumatismos, infeções bacterianas ou virais, tumores, etc. São mais frequentes em cães adultos e idosos.
- As extracranianas são transtornos metabólicos, a administração de certos medicamentos, uma intoxicação, um défice de vitaminas, etc.
Perante estas situações, como tutor, deve conhecer quais são os sintomas da epilepsia, como agir durante as crises epiléticas e que soluções existem atualmente. O conhecimento dar-lhe-á a tranquilidade de agir com calma perante qualquer situação, por isso encorajamo-lo a continuar a ler.
Fases e sintomas de uma crise epilética em cães
🔸 Prodrómica
Precede o início da crise. O cão está inquieto e apresenta alterações de comportamento face ao que seria habitual na mesma situação. Esta fase pode ocorrer até várias horas antes das convulsões.
🔸 Aura
Justo o momento anterior às convulsões. Os sinais mais habituais são alterações de comportamento mais drásticas, como procurar ajuda, ansiedade ou demasiada quietude (procuram reforço perante a sensação que estão a ter). Fisicamente, podem chegar a vomitar, ladrar, morder o ar por verem "moscas" ou lamber excessivamente as patas.
🔸 Ictal
Momento em que ocorre a crise epilética. Pode durar entre poucos segundos a vários minutos. O cão fica rígido e cai ao chão com movimentos espasmódicos. Perde a consciência e o controlo dos esfíncteres.
🔸 Pós-ictal
Após o fim das convulsões. O cão pode estar desorientado perante a situação anómala que acaba de viver. Pode surgir cegueira e surdez temporária ou outras anormalidades neurológicas.
Como agir durante as crises epiléticas em cães
🧘♀️ Calma
O mais importante é manter a calma e ligar para as urgências veterinárias para que lhe deem as indicações necessárias. Se se tratar de uma crise aguda, o seu patudo poderá chegar a morrer.
🏠 Desimpeça a zona
Retire os móveis ou objetos próximos do cão para evitar que se magoe durante a crise. Uma recomendação para estas situações é baixar a intensidade da iluminação.
🎥 Grave e cronometre
Embora no momento a última coisa em que pense seja nisso, poderá ser útil gravar um vídeo durante a crise e cronometrar a duração da mesma. Isto será muito valioso para que o veterinário analise o ocorrido.
💚 Dê-lhe muito amor
Após um episódio, o cão estará desorientado, pelo que devemos estar sempre com ele: durante e depois. Uma vez terminada a crise, é o momento de enchê-lo de tranquilidade e mimos.
Dieta BARF para cães com epilepsia
Antes de tudo, queremos sublinhar que deve recorrer a um veterinário-nutricionista para individualizar o caso do seu patudo e analisar bem o tipo de epilepsia ou se existem outras patologias associadas.
A alimentação é a base da saúde dos nossos patudos, a tal ponto que as deficiências nutricionais estão muito relacionadas com as crises epiléticas. As rações e alimentos com cereais contêm antinutrientes e substâncias que impedem a assimilação de aminoácidos, vitaminas e minerais. Se os alimentos não forem assimilados corretamente, surgirão deficiências nutricionais e, consequentemente, possíveis convulsões.
Os patudos que sofrem de epilepsia devem manter um nível de glicemia estável. As rações ou comidas cozinhadas com hidratos complexos (cereais ou leguminosas) produzem picos de hiperglicemia que podem originar crises convulsivas. Portanto, a alimentação do cão deve basear-se na eliminação de produtos ricos em amido, limitando o consumo de fruta e dando prioridade ao consumo de alimentos naturais e frescos.
Seguindo estas diretrizes, a dieta BARF é a melhor opção para melhorar a qualidade de vida e de saúde dos patudos. A dieta BARF baseia-se no consumo de proteínas e gorduras de qualidade, o que permite uma correta assimilação de todos os nutrientes e ajuda a regular os níveis de glicemia. Não deve esquecer que, para manter os níveis estáveis, os cães devem seguir um horário de refeições rigoroso e nunca devem estar em jejum. Excetuando aqueles casos em que o veterinário considere o jejum favorável.
A dieta BARF como fonte de nutrientes para cães
Existem vários nutrientes essenciais para melhorar a qualidade de vida dos animais: proteínas, enzimas digestivas, vitaminas e minerais.
1️⃣ Proteínas
As proteínas de origem animal são essenciais para o correto funcionamento físico e neuronal, já que contêm dois aminoácidos importantíssimos neste caso: a taurina e a carnitina, aminoácidos anticonvulsivos. A taurina inibe e modula vários neurotransmissores, deprime o sistema nervoso central e normaliza o equilíbrio com outros aminoácidos importantes. Estes aminoácidos apenas são obtidos através da alimentação ou suplementação.
2️⃣ Enzimas digestivas
As enzimas são catalisadores que aceleram as reações bioquímicas no corpo. Estão envolvidas em quase todas as funções corporais, bem como na construção e funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. Há dois grupos principais de enzimas: metabólicas e digestivas.
As digestivas, como o nome indica, servem para digerir os alimentos. Já as enzimas metabólicas estão em distintos órgãos do corpo a realizar diferentes funções. Este tipo de enzimas só se encontra na comida crua. Então, o que acontece se o seu cão comer comida cozinhada ou ração? O organismo tem de "roubar enzimas" a outros órgãos para as utilizar no processo de digestão desse alimento. Isto desequilibra o resto do organismo.
3️⃣ Vitaminas
O calor aplicado no processo de ração e comida cozinhada destrói muitas vitaminas dos alimentos, provocando, uma vez mais, uma deficiência nutricional. Há uma série de vitaminas muito relacionadas com as convulsões:
- Grupo B: especialmente a B6, B12 e ácido fólico (B9) estão estreitamente ligadas à epilepsia e a sua deficiência pode piorar os sintomas.
- Vitaminas C e E: estão unidas a outras vitaminas em diversos processos. Por isso, o défice destas pode levar a que outras vitaminas não sejam assimiladas nem utilizadas de forma adequada. Estas vitaminas são potentes antioxidantes que tratam dos radicais livres do organismo, que podem dar lugar a convulsões.
- Vitamina A: relaciona-se com uma função nervosa adequada.
- Vitamina D: ajuda ao equilíbrio com o cálcio, o qual é vital na transmissão do impulso nervoso.
4️⃣ Minerais
Os minerais são importantíssimos para um correto desenvolvimento do organismo. Uma dieta variada, completa e natural garantirá não ter carências destes. Os mais relacionados com os problemas de epilepsia são o magnésio, manganês, selénio, cálcio e zinco. O veterinário holístico Roger DeHaan, DVM, afirma que algumas formas de epilepsia respondem à suplementação de vitamina B6, magnésio e manganês. Por sua vez, a deficiência de selénio relaciona-se com crises e posterior dano neuronal, e o zinco é necessário para produzir neurotransmissores.
Suplementos em casos de epilepsia em cães
Há imensos suplementos que pode incorporar na dieta do seu cão para melhorar a sua saúde e bem-estar. No entanto, o excesso de suplementos também pode ser contraproducente. Vamos explicar-lhe quais são os melhores suplementos alimentares para cães com epilepsia.
🧀 Probióticos e prebióticos
Imprescindíveis para manter um intestino e uma flora saudáveis, já que existe um vínculo muito estreito entre estes e as convulsões.
🐟 Ácidos gordos
O aporte de EPA e DHA é importantíssimo para animais com epilepsia. Fornecer regularmente DHA pode atrasar o aparecimento de ataques. Este ácido gordo possui funções na neurogénese, neurotransmissão e neuroproteção do organismo.
O aporte de Ómega 3 também é fundamental; tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes que são benéficas para o desenvolvimento do sistema nervoso. Além disso, minimiza a atividade não controlada das células do cérebro que produzem as crises epiléticas em cães. Se puder oferecê-lo através de óleos que contenham triglicéridos de cadeia média (MCT) ou outros substitutos de origem animal, tanto melhor. Contudo, também é interessante a fonte de ómega 3 do óleo de krill e o óleo de coco biológico como fonte vegetal.
🌿 Plantas
Sempre sob supervisão de veterinários. Algumas plantas como o aloé vera, o cardo-mariano, a erva-de-são-joão, a valeriana ou a passiflora podem ajudar a reduzir as crises epiléticas. O CBD é um recurso muito utilizado entre cães com epilepsia com ótimos resultados, mas, mais uma vez, deve sempre consultar o seu veterinário antes de o utilizar.
Se o seu patudo tem epilepsia idiopática canina, deixe-nos dar-lhe um conselho. Vá a um veterinário para realizar os exames correspondentes e faça a mudança de alimentação com um profissional nutricionista para adequar o seu caso. A dieta BARF poderia significar um antes e um depois na qualidade de vida do seu patudo e reduzir as crises epiléticas.
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