Intoxicação em cães e gatos devido às fumigações na primavera
A primavera é a estação mais complicada para os nossos patudos por muitas razões: mudanças bruscas de temperatura, aparecimento de insetos e animais perigosos, começam a comer menos, florescimento de plantas e flores tóxicas, etc. Como se não bastassem estes fatores, temos de somar o facto de que começa a época de fumigações.
- Época de fumigações: primavera
- Zonas comuns de fumigação
- Porque se realizam fumigações se é tóxico?
- Problemas de saúde nos animais
- Que cães ou gatos têm maior risco de intoxicação?
- Sintomas de intoxicação por substâncias tóxicas
- Formas de intoxicação com substâncias tóxicas
- O que deve fazer em caso de intoxicação por tóxicos
- Prevenção para as intoxicações
- Soluções alimentares para atenuar os sintomas de intoxicação por tóxicos
Do final de março até ao início de junho, as câmaras municipais procedem à fumigação de certas zonas da cidade para prevenir pragas, doenças ou ervas daninhas. Os patudos podem chegar a intoxicar-se simplesmente cheirando ou lambendo zonas que tenham sido fumigadas recentemente. Como tutores, devemos estar atentos a muitos detalhes que podem prejudicar a saúde dos nossos melhores amigos. Por isso, se detetar algum dos sintomas de intoxicação que lhe descreveremos abaixo, dirija-se rapidamente ao seu veterinário mais próximo.
🌸 Época de fumigações: primavera
Em Espanha, a época da fumigação de jardins públicos começa em março e pode estender-se até ao início de junho, dependendo da zona. Realizam-se durante os meses de primavera porque é a época em que começam a brotar e a florescer as plantas e, com elas, as pragas de insetos. A finalidade da fumigação é eliminar e evitar pragas e o aparecimento de ervas daninhas nas zonas urbanas.
Contudo, e como diz o ditado, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Atualmente, começam a aparecer espécies vegetais resistentes aos herbicidas e a estação quente que propicia o habitat ideal para os insetos e animais perigosos para os patudos. Isto implica aumentar o número de fumigações por ano, podendo chegar a realizar-se até 3 fumigações anuais. Por isso, a época de fumigação é cada vez mais longa e a probabilidade de risco de intoxicação é mais elevada.
🌳 Zonas comuns de fumigação
Se acredita que, por viver no meio da cidade, o seu cão está a salvo de sofrer este tipo de intoxicação, deixe-nos dizer-lhe que está enganado. Pensar que os herbicidas e pesticidas apenas são utilizados para espaços públicos como parques ou jardins urbanos de grandes dimensões é um erro. A realidade é que estas substâncias nocivas para os animais distribuem-se por toda a cidade.
Podemos encontrar árvores fumigadas nas margens dos passeios das ruas mais centrais, arbustos situados na entrada das urbanizações privadas, de empresas privadas e públicas ou em redor dos parques infantis. Se é daquelas pessoas que madrugam, pode encontrar trabalhadores a pulverizar o produto sobre as árvores ou os passeios desnudos.
O fim desta atividade é evitar o crescimento das ervas daninhas que podem crescer entre os mosaicos do passeio e danificar a infraestrutura. Assim como evitar as pragas de insetos que possam causar um problema aos animais domésticos e à atividade das pessoas.
Quando passear com o seu cão, deverá estar muito atento quando passar por zonas verdes para que não coma, lamba ou cheire demasiado certas zonas. Especialmente durante o tempo que o deixe solto para que possa correr, conectar-se com a natureza e, em suma, ser cão.
Estes lugares, ao disporem de uma maior área verde, supõem um risco para os patudos ao pisar as zonas contaminadas, cheirar ou até mesmo comer parte destes vegetais. Embora não deva esquecer que também se poderia intoxicar no próprio caminho asfaltado mal saia de casa, caso tenha havido uma fumigação recente.
Não deve esquecer que os pesticidas são utilizados também em zonas de cultivo. Deste modo, evita-se que o produto que vai ser vendido para consumo seja destruído por insetos, pássaros, ou que cresça menos devido ao aparecimento de plantas não desejadas. Tanto para a nossa saúde como para a saúde dos patudos, é extremamente importante limpar corretamente os vegetais e a fruta ou, melhor ainda, comprar produtos livres de pesticidas.
😟 Porque se realizam fumigações se é tóxico?
O uso de pesticidas tem vários objetivos:
- Prevenir, destruir ou controlar pragas de animais e insetos
- Regular o crescimento de plantas
- Desfolhante e dessecante de plantas
- Uso como estabilizador de azoto
Os pesticidas são utilizados para controlar pragas e doenças provenientes de mamíferos como ratos e ratazanas. Assim como o controlo de seres vivos de pequena dimensão como as carraças e mosquitos. Na agricultura e nos espaços públicos, costumam ter outras funções como controlar o crescimento de ervas daninhas, evitar doenças ou a infestação de insetos. Existem muitos tipos de pesticidas que podem causar um problema grave de saúde nos patudos e que podemos encontrar na rua:
- Desinfetantes: controlar microrganismos
- Herbicidas: mata ou inibe o crescimento de ervas daninhas
- Inseticidas: controlar a população de insetos
- Rodenticidas: mata roedores como ratos e ratazanas
- Preservantes de madeira: evitam a deterioração da madeira de vedações, baloiços, etc., pela ação de fungos, térmitas…
As empresas de fumigação utilizam diferentes pulverizadores adaptados à zona a tratar. No entanto, podem constituir um problema de saúde tanto para crianças como para os nossos animais, devido à composição química que pulverizam.
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😷 Problemas de saúde nos animais
Como com qualquer substância química, a dose faz o veneno. Atrás do fabrico de pesticidas, existem rigorosos controlos de criação do produto e manipulação do mesmo. No entanto, por serem produtos tóxicos, a forma de uso, o tempo de exposição e a quantidade influenciam a provocação de certos sintomas em pessoas e animais se não se tomarem as precauções adequadas.
Quando descemos ao parque com o nosso cão nesta época do ano, estamos expostos a estes químicos no ambiente. Os cães, como animais exploradores e curiosos que são, cheiram, comem, rebolam e lambem tanto o chão como as plantas que encontram pelo caminho.
A presença destes pesticidas é perigosa para eles, uma vez que pode chegar a intoxicar o animal se consumir em excesso plantas contaminadas, lamber zonas com químicos ou ingerir diretamente o produto. Se o animal sofrer de uma doença neurológica, estiver imunodeprimido, for cachorro ou de pequeno porte, nesses casos uma dose menor pode ter efeitos fatais.
Mas não nos enganemos, não é apenas prejudicial para os animais, as crianças também podem sofrer intoxicações, ainda que leves, se entrarem em contacto com estes pesticidas. Devemos lembrar que as crianças levam tudo à boca e podem ingerir algum material contaminado que resulte, principalmente, em problemas gastrointestinais.
🐶 Que cães ou gatos têm maior risco de intoxicação?
É uma questão de estatística: quanto mais tempo o cão ou gato estiver na rua, maior probabilidade terá de entrar em contacto com estas substâncias químicas. Os cães mini ou de porte pequeno, como os Chihuahua, Yorkshire, Pomerânia, etc.; os cachorros e imunodeprimidos são os que podem sofrer um desfecho pior.
Se o seu cão costuma cheirar zonas verdes, comer plantas ou qualquer coisa que encontre pelo caminho… PRECAUÇÃO! Lembre-se que as zonas verdes podem estar contaminadas. Se suspeitar que pode sofrer uma intoxicação, dirija-se rapidamente ao veterinário.
Nos gatos acontece o mesmo; os gatos que vivem no exterior (outdoor) têm maior probabilidade de adoecer por ingestão destas substâncias. Além disso, os gatos contam com um comportamento intrínseco da sua espécie: lamber-se e limpar-se (grooming). Se andar sobre zonas contaminadas e posteriormente lamber as patinhas durante a sua rotina, pode chegar a sofrer algum dos sintomas mencionados na secção seguinte. Como acontece nos cães, se o gato for cachorro ou estiver imunodeprimido/doente, o desfecho será pior.
Além disso, se o animal tem alguma patologia digestiva e tem o intestino irritado/inflamado, as defesas estarão debilitadas. Desta forma, os agentes patogénicos externos poderão afetar mais facilmente o organismo do patudo, porque o seu sistema pode absorver maior quantidade de tóxico e agravar a sintomatologia. Por essa razão, é extremamente importante ter um sistema imunitário forte para poder enfrentar agentes patogénicos externos, e tudo começa por seguir uma alimentação natural.
🔍 Sintomas de intoxicação por substâncias tóxicas
Que sintomas podemos encontrar num animal intoxicado? Os sintomas dependem do grau de intoxicação, mas podemos encontrar desde sintomas leves como a hipersalivação até sintomas neurológicos graves que terminam com a vida do animal. Podemos encontrar estas maleitas tanto em cães como em gatos outdoor que entrem em contacto com pesticidas (de menor a maior gravidade):
- Ofegante excessivo
- Inquietação, nervosismo
- Olhos irritados
- Hipersalivação
- Aumento da sede e, consequentemente, aumento da micção
- Irritação da pele
- Náuseas e vómitos
- Dor abdominal
- Diarreia
- Diarreias hemorrágicas
- Febre
- Dilatação das pupilas (midríase)
- Fraqueza generalizada
- Desorientação
- Sonolência
- Dificuldade respiratória
- Taquicardias
- Hemorragia por orifícios como o focinho
- Tremores
- Rigidez muscular
- Convulsões
- Paralisia
- Morte
👅 Formas de intoxicação com substâncias tóxicas
Já mencionámos algumas, mas é importante sublinhar as vias de intoxicação segundo a espécie:
🐶 Intoxicação em cães
A intoxicação pode ocorrer por ingestão direta do tóxico, por ingestão de material contaminado como plantas ou paus. Outra forma de contaminação é por contacto das almofadas (patas) ou do nariz (trufa) com material contaminado, por contacto estreito da pele do corpo com plantas pulverizadas com químicos ou por pulverização direta.
🐱 Intoxicação em gatos
A intoxicação pode ocorrer por ingestão direta do tóxico, por ingestão de um animal contaminado (ex. raticidas), por ingestão de plantas contaminadas. Também pode ocorrer pelo contacto das almofadas e da trufa, por lambedura de zonas do corpo que estiveram em contacto com o químico, por contacto estreito da pele do corpo com zonas pulverizadas com químicos e por pulverização direta.

🐾 O que deve fazer em caso de intoxicação por tóxicos
Como sempre, a prevenção é o melhor remédio contra a doença. Pode informar-se junto da Câmara Municipal da sua cidade sobre as fumigações e as zonas em que foram realizadas para evitá-las durante os passeios.
Se já for demasiado tarde e acredita que o seu animal pode ter entrado em contacto com o pesticida, vá diretamente ao veterinário. Se estiver longe de casa e tiver de usar o carro, a primeira coisa a fazer é lavar com uma toalha molhada em água as zonas que possam ter sido contaminadas: focinho, comissura da boca, almofadas. Prepare tudo e vá ao veterinário o mais rapidamente possível.
🙅🏻♀️ Prevenção para as intoxicações
É lógico pensar que afastar-se de zonas contaminadas será a nossa primeira tarefa. Claro que evitar zonas de risco é o primeiro passo para proteger os nossos patudos de quatro patas. Outra medida importante seria a limpeza com água abundante das almofadas, focinho e boca ao terminar o passeio. Assim, se o nosso amigo entrou em contacto com substâncias nocivas, evitaremos que as absorva pela pele.
🥕 Soluções alimentares para atenuar os sintomas de intoxicação por tóxicos
Como já viu, muitos dos sintomas numa intoxicação por pesticidas estão relacionados com o aparelho digestivo ou com a pele. Portanto, haverá distintas formas de atenuar estes sintomas.
Sintomas digestivos
O intestino é o segundo cérebro do corpo e influencia diretamente o nosso sistema imunitário. Para tratar problemas como diarreias, vómitos, náuseas, etc., será importante reparar esse intestino. Para isso, é fundamental realizar uma dieta leve e uma boa suplementação.
- Sopa de Moro: também conhecida como sopa de cenouras. É um grande aliado para expulsar toxinas do nosso intestino e evitar que sejam absorvidas. Além disso, é muito simples de preparar e a um custo muito baixo.
- Probióticos: grandes aliados para manter e reparar a microbiota intestinal. Podemos usar kefir, iogurte natural, vegetais fermentados ou tripa verde.
- Dieta leve: o ideal é oferecer um jejum de cerca de 12h, durante o qual apenas tome a sopa de Moro para eliminar as toxinas. Pouco a pouco, oferecemos probióticos em jejum e, posteriormente, preparamos um menu simples de fácil digestão com peru/frango/coelho cozido e abóbora cozida e triturada.
Sintomas cutâneos
E se o nosso cão reagiu tendo comichão e erupções cutâneas? Neste caso, a dieta leve continua a ser uma boa opção, mas será necessário dar algum outro suplemento como:
- Ómega 3: pode ser de krill ou peixes, preferencialmente de pequena dimensão para evitar metais pesados. Pode encontrar-se em formato de cápsulas ou óleos. É um anti-inflamatório natural, ajudando na proteção da pele e, ainda, reduzindo o inchaço provocado pela reação alérgica às toxinas.
- Dieta alta em Ómega 3: se não houver sintomas digestivos associados, o ideal é dar uns dias de menu com peixe para aumentar os níveis de ómega 3 de forma natural.


