O seu cão não pode ser vegano nem vegetariano: razões e consequências

  1. A natureza do cão: da boca ao intestino
  2. Os cães não são veganos nem vegetarianos
  3. Natuka com os produtores e agricultores locais
  4. A proteína animal como alimento principal
  5. Exceções: doenças hepáticas

As dietas vegetarianas e veganas são cada vez mais populares e somam milhares de adeptos em todo o mundo. Seja por motivos éticos sobre o impacto da indústria da carne no meio ambiente ou por motivos de saúde. Na sequência disto, muitas pessoas entram num dilema moral sobre a alimentação dos seus animais de estimação e procuram alternativas como a ração vegana para cães ou gatos.

Mas, um cão pode ser vegano? Ou um gato pode ser vegetariano? A resposta é um rotundo NÃO. Se quiser saber mais sobre as razões e consequências nos cães, vamos resumi-las neste artigo.

🐕 A natureza do cão: da boca ao intestino

O cão é um carnívoro facultativo ou adaptativo. O que quer isto dizer? O cão necessita da proteína animal como base da sua alimentação, mas pode subsistir à base de vegetais durante um período concreto de tempo. Além disso, o seu sistema é capaz de aproveitar certos nutrientes de frutas e legumes. Vamos entrar mais em detalhe nos aspetos anatómicos e fisiológicos para que possa entendê-lo a partir da sua própria natureza.

  • Dentição

Os dentes dos canídeos estão concebidos para cortar e rasgar peças de carne. Todos os carnívoros apresentam o dente carniceiro, um dente desenhado para cortar o osso e a carne. Embora seguramente o dente mais impactante seja a presa, já pode imaginar que não está desenhado para morder bolinhas minúsculas de ração.

  • Saliva

Os cães têm muito pouca quantidade de amilase salivar, uma enzima que ajuda a digerir os hidratos de carbono. O seu organismo obtém a energia das gorduras como primeira fonte energética. Ironicamente, as rações costumam estar carregadas de hidratos de carbono, facto que força o sistema digestivo dos cães para os eliminar.

  • Mordida

Se tiver a oportunidade, repare na forma como o seu cão come. Verá que mastigam de forma vertical, porque a abertura da mandíbula é em tesoura, e mastigam muito pouco. Os cães estão desenhados para mastigar o suficiente para adaptar o alimento a um tamanho que possa passar pelo esófago. De facto, o esófago dos cães tem elasticidade para assegurar a passagem correta dos alimentos para o estômago.

  • Estômago

A cavidade do seu estômago é suficientemente grande para ingerir grandes quantidades de comida. Isto deve-se à falta de disponibilidade de alimento que podiam ter na natureza, e aumentar a sua ingestão permitia-lhes subsistir. Por outro lado, o pH do seu estômago é mais ácido que o dos humanos, capaz de destruir ossos e bactérias da carniça. Ou seja, há que dizer adeus ao medo da carne crua e dos ossos. Importante: os cães alimentados com ração têm um pH menos ácido devido ao consumo recorrente de hidratos de carbono, o que lhes retira alguma proteção contra as bactérias.

  • Intestino

Os cães têm um intestino curto, porque metabolizar proteínas e gorduras é mais rápido do que outros nutrientes. Além disso, protege-os de qualquer bactéria que não tenha sido eliminada previamente no estômago. Para que tenha uma ideia, o trânsito de um cão é de 12h a 30h; em contrapartida, o trânsito das pessoas é de 30h a 4 dias.

Os cães na natureza, ou os lobos, ingerem carne, ossos, vísceras e vegetais dos estômagos das suas presas. Por essa razão, é tão importante conhecer as particularidades da dieta BARF para assegurar a correta nutrição do seu patudo. Todos os menus triturados da Natuka cumprem com as percentagens gerais que os nossos cães necessitam.

Pack de iniciação BARF para cães

❌ Os cães não são veganos nem vegetarianos

A própria anatomia e fisiologia de um cão já nos diz que o seu cão não pode ser vegano nem vegetariano. De facto, se formos rigorosos de acordo com a sua natureza, os cães também não deveriam consumir ração. Até há menos de 200 anos, alimentavam-se com presas que conseguiam caçar, carniça ou sobras da alimentação das pessoas. Acha que um animal se pode adaptar fisiologicamente falando apenas em 200 anos? Simplesmente, os cães são capazes de sobreviver com comida não apropriada à sua espécie. Portanto, colocar na mesma frase “ração vegana” é uma atrocidade para o bem-estar animal.

Então, por que se comercializa este tipo de alimento? Essa mesma pergunta fazemo-la nós, mas podemos dizer-lhe que tudo vem de um denominador comum: a humanização dos cães. O facto de “tratar os cães como pessoas” pode levar-nos a confundir conceitos e metabolismos. As pessoas somos omnívoras, ou seja, podemos alimentar-nos através de nutrientes vegetais ou animais e, inclusive, seguir uma dieta vegana se esta contiver todos os elementos necessários.

No entanto, os cães e os gatos nunca poderiam ser veganos, porque não podem subsistir sem carne e gorduras de origem animal. São espécies carnívoras. Além disso, é curioso como muitas marcas que comercializam este tipo de produtos utilizam apelos humanos como “com Ómega 3 e 6” ou “com Vitaminas A, B12 e D”.

🐮 Natuka com os produtores e agricultores locais

Se o que lhe preocupa como vegano ou vegetariano é o meio ambiente e as indústrias de carne. Um dos nossos principais valores é o bem-estar animal e a consciência ambiental. Por essa razão, trabalhamos com produtores e agricultores locais para reduzir as emissões de gases poluentes. Além disso, os produtores locais respeitam os ciclos naturais de vida dos animais e não os criam em estábulos. Esta forma de trabalhar não é apenas ética com o meio ambiente e os animais, mas também potencia a qualidade da carne do gado. Por conseguinte, a qualidade dos menus da Natuka é excecional. Além disso, trabalhar com produtores e agricultores locais fomenta a economia nacional e o comércio justo.

🥩 A proteína animal como alimento principal

Utilize as carnes e peixes como base da alimentação do seu patudo. A dieta BARF é a alimentação que mais aproxima os cães da sua natureza biológica e, portanto, a mais adequada à sua espécie. Os benefícios da alimentação natural são notáveis desde os primeiros meses em que os cães fazem a mudança para a dieta crua. Por isso, se o seu cão ainda come ração, encorajamo-lo a dar este passo tão necessário em direção à dieta BARF e a vê-lo com os seus próprios olhos.

Na Natuka, tornamos-lhe muito fácil fazer esta transição com o pack de iniciação para preparar o sistema digestivo do seu patudo. É muito importante que saiba como introduzir o seu cão à dieta BARF com a Natuka. No entanto, recomendamos que consulte antes um veterinário-nutricionista a favor da dieta natural para que o possa guiar nesta mudança. Da mesma forma, fazer as análises correspondentes para comprovar o seu estado de saúde geral, especialmente nos patudos que levam muito tempo a alimentar-se com ração.

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🩸 Exceções: doenças hepáticas

Se chegou até aqui, pode estar a pensar: vá lá. Há casos muito concretos em que um cão necessita de adaptar a sua alimentação por complicações na sua saúde e doenças hepáticas. A maioria destes animais não digere corretamente a proteína animal, especialmente as carnes vermelhas. A doença mais comum nestes casos é o shunt portossistémico.

O shunt portossistémico é uma malformação congénita vascular que faz com que determinados animais nasçam com uma comunicação anómala entre duas veias, geralmente entre a porta e a cava. Existem dois tipos de shunt: intra-hepáticos e extra-hepáticos. Os primeiros costumam dever-se a comunicações entre ramos da veia porta e as veias hepáticas ou VCI. Os sintomas principais que esta doença apresenta costumam ser neurológicos, mas especialmente podem observar-se: tremor, ataxia, histeria, demência, alterações de comportamento, marcha em círculos, pressão da cabeça contra a parede, cegueira ou convulsões.

Qualquer cão pode sofrer deste tipo de doença, mas as raças mais propensas são o Yorkshire terrier e o Schnauzer miniatura.

Os cães com este tipo de patologias deveriam adaptar a sua alimentação e talvez, nestes casos, a dieta BARF não seja a melhor opção. Especialmente os menus com carnes vermelhas e vísceras. Este tipo de alimentos tem muito azoto que se metaboliza em amoníaco, substância tóxica para o organismo, forçando o fígado a desintoxicá-lo. Apenas o veterinário-nutricionista é quem pode dar um diagnóstico fiável sobre qualquer doença e as diretrizes a seguir tanto a nível nutricional como possíveis fármacos nestas situações. Sem esquecer que é vital individualizar cada caso, já que cada animal é único e as suas afeções podem ser muito diferentes.

Se quer começar a dar uma alimentação natural BARF ao seu cão e tem dúvidas, consulte veterinários especializados em nutrição natural. Eles serão as pessoas adequadas para o poder guiar na nova alimentação para o seu patudo.

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