Mitos sobre o comportamento canino (parte II)
- Os cães mais velhos não conseguem aprender
- O meu cão não é agressivo, é reativo
- Temos de deixar que os cães se resolvam sozinhos
- Não te preocupes, ele só está a brincar
- Calma, ele não faz mal a ninguém!
- A dieta BARF e a educação canina
Na primeira parte de “Mitos sobre o comportamento canino”, falámos sobre várias falsas crenças muito difundidas na educação canina. Neste artigo, retomamos esta abordagem e apresentamos-te mais cinco mitos que temos a certeza que já ouviste alguma vez na tua vida como tutor. Por isso, hoje tens uma boa desculpa para questionar se tudo o que ouves é verdade e mudar de perspetiva. Vamos a isso!
🔹Os cães mais velhos não conseguem aprender
Felizmente, isto é totalmente falso. Os cães podem aprender a qualquer idade com as técnicas corretas. Não falamos apenas de habilidades, como sentar, cumprimentar, dar a pata, etc., mas também a nível social e emocional. Desta forma, descartar a adoção de um cão mais velho por acreditar que ele não conseguirá adaptar-se a um novo ambiente é uma crença errada.
Naturalmente, os cães sénior não são tão adaptáveis como os jovens e os cachorros. Da mesma forma, terão um ritmo de aprendizagem mais lento porque a sua capacidade de concentração é menor. No entanto, e isto é o mais importante, os cães mais velhos gostam de aprender. Em certos aspetos, os cães são permanentemente imaturos, em relação ao seu equivalente noutros canídeos. Portanto, brincar e aprender supõem sempre um estímulo muito motivador a qualquer idade.
Poucas experiências são tão gratificantes como as de aprender junto a um cão sénior. Se o teu cão sénior ainda come ração e tens dúvidas sobre se é bom mudá-lo agora para a dieta BARF, no nosso blog explicamos-te os benefícios da alimentação natural em cães sénior. Além disso, contamos-te como passar à dieta BARF cães mais velhos e tudo o que deves ter em conta.
🔹O meu cão não é agressivo, é reativo
Nos últimos anos, tem-se tornado moda a palavra reatividade como uma espécie de eufemismo para a agressividade em cães. Isto é um erro muito grande. A agressividade e a reatividade são dois conceitos extremamente diferentes e é importante diferenciá-los para definir uma intervenção.
A reatividade é uma impulsividade mal aproveitada que, em certas ocasiões, pode manifestar-se sob a aparência de um comportamento agressivo. Isto implica uma elevada componente emocional, mas nem sempre é assim. Por exemplo, perseguir ciclistas pode ser reatividade, tal como fugir de um ruído desconhecido. Pelo contrário, falamos de agressividade em todas as circunstâncias em que o cão escolhe uma resposta agressiva como estratégia para resolver um conflito.
Em relação à agressividade, é importante saber que um cão não é estritamente agressivo por apresentar agressividade em momentos concretos. Como vês, um cão pode ser reativo e não ser agressivo, e vice-versa. Em ambos os casos, recomendamos-te que recorras a um profissional de educação canina para resolver este tipo de comportamentos desde a base, de forma a fomentar o máximo bem-estar emocional do teu cão.
🔹Temos de deixar que os cães se resolvam sozinhos
Se as pessoas precisam de ajuda e mediação externa em inúmeras ocasiões, os cães também precisam. As relações sociais são, em muitos casos, difíceis, ainda mais para os cães que não vivem num ambiente natural para eles. A organização social própria dos canídeos evoluiu dentro de parques, ruas estreitas, zonas sobrepovoadas e cheias de trelas, coleiras e peitorais. Além disso, há raças com características físicas tão modificadas que mal parecem canídeos, como os carlins ou os bulldogs, entre muitos outros. Por isso, os cães precisam, sim, de orientação externa.
Na natureza, os animais tinham as suas mães e outros indivíduos da sua espécie como modelos para se relacionarem e que os orientavam nas suas interações. Provavelmente, já viste algum vídeo na internet sobre como as mães corrigem os seus cachorros enquanto eles interagem entre si. Hoje em dia, a tua intervenção como tutor é a sua referência e a sua figura de mediação com os outros. Portanto, se o teu conhecimento sobre comportamento canino for reduzido, a figura do educador canino será imprescindível.
🔹Não te preocupes, ele só está a brincar
Bem, em alguns casos pode ser verdade, mas em muitos outros não. Para começar, a maioria das pessoas que vivem com cães não dispõe de conhecimento suficiente sobre linguagem canina. Isto traduz-se em frequentes mal-entendidos entre tutores. Por outro lado, a forma de entender a brincadeira para muitos cães é oposta à forma de a entender de outros cães. Portanto, aqui poderíamos encontrar-nos no epicentro de muitos problemas que são criados nos parques.
Se o teu cão entende a brincadeira como fazer asneiras e não demonstra empatia ou não compreende os sinais de desconforto de outros cães, pode acabar em briga. Lembra-te que, embora o teu cão “só esteja a brincar”, o outro cão não está e, como tutores, devemos tentar guiá-los. Tal como comentávamos no ponto anterior, tu és a sua referência e guia. Se não entendes o seu comportamento ou não sabes como geri-lo, deves pedir ajuda a profissionais.
🔹Calma, ele não faz mal a ninguém!
Esta frase soa-te familiar? Um cão aproxima-se a correr direto a ti e a ladrar como se estivesse possuído pelo próprio demónio. As possibilidades que esta situação apresenta são quase infinitas: fica a um metro a ladrar como um louco; chega, cheira-te e vira costas como se estivesse desapontado; perde o controlo e atropela-te; na verdade estava a ladrar a qualquer outra coisa, mas tiveste o azar de coincidir na sua trajetória, etc.
Na maior parte das vezes, quando alguém leva o seu cão solto é porque ele não ataca humanos ou outros cães. Mas também sabemos que muita gente, sem má intenção, não é consciente das emoções do seu cão e das razões desse comportamento. Além disso, também não são conscientes ou não têm empatia pelo stress que o seu cão pode criar nas pessoas e/ou noutros animais. Por isso, se alguma vez foste tu quem disse “o meu cão não faz mal a ninguém”, shiu! Mais vale não dizeres nada, a outra pessoa agradecerá.
Se o teu cão tem dificuldade em relacionar-se com pessoas ou com outros cães, se tens dúvidas sobre o seu bem-estar ou sobre a vossa convivência, mais uma vez, não hesites em entrar em contacto com um profissional de educação canina.
A dieta BARF e a educação canina
A dieta BARF ajuda nos problemas de comportamento dos cães. Obviamente, a alimentação natural não é a panaceia para os problemas de educação que os animais têm, já que existem muitíssimos fatores que influenciam as emoções e/ou o stress dos cães. O comportamento deve ser analisado de forma completa, dando ênfase a diferentes áreas. No entanto, um dos benefícios da dieta BARF para cães e gatos é a melhoria do comportamento do animal.
Alimentação natural em protocolos de educadores caninos
Muitos educadores caninos incluem nas suas sessões um plano de alimentação natural BARF junto aos seus protocolos para problemas de comportamento. Porquê? Está demonstrado que cobrir as necessidades básicas de alimentação e nutrição, a famosa pirâmide de Maslow, faz com que o cão se foque noutras necessidades menos básicas. De facto, muitos problemas de ansiedade, coprofagia ou reatividade acompanham-se de uma dieta natural. Lembra-te que a reatividade não é sinónimo de agressividade. Os planos de alimentação têm de ser desenhados por um veterinário e/ou nutricionista canino para cobrir todas as suas necessidades nutricionais, não podem ser desenhados pelo educador canino.
Se o teu cão ainda não come alimentação natural, BARF ou cozinhada, também podes incorporar nas suas refeições suplementos naturais para melhorar os sintomas de cada problema. Deve existir uma comunicação entre o educador canino e o nutricionista para poder oferecer ao teu animal aqueles alimentos ou suplementos de que ele realmente precisa. O bem-estar do teu cão dependerá tanto da sua saúde física como da sua saúde emocional. Se tens dúvidas sobre como começar a dieta BARF, podes consultar a nossa veterinária através deste link: contactar com a veterinária.
Escrito por Alejandro Daza
Educador canino cognitivo-emocional

